Para que podamos mostrar as obras Renascentistas devemos explicar um pouco de seu contexto histórico e de como tudo começou. As obras renascentistas fazem parte de um movimento cultural que predominou no Ocidente entre os séculos XV e XVI, principalmente na Itália, centro irradiador desta revolução nas artes, na literatura, na política, na religião, nos aspectos socioculturais. Este movimento foi denominado Renascimento. Deste polo cultural, o Renascimento se propagou pela Europa, especialmente pela Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e com menos ênfase em Portugal e Espanha.
A razão, de acordo com o pensamento da renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas, ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo.
Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveram a ascensão de uma notória classe artística italiana e é aí que os artistas e suas obras entram em ação. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento. Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI.
Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura). Na fase final do Renascimento, o Cinquecento, movimento ganhou grandes proporções dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albercht Dürer (“Adão e Eva” e “Melancolia”) e Hans Holbein (“Cristo morto” e “A virgem do burgomestre Meyer”). A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais (“Gargântua e Pantagruel”). No campo científico devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes desde então controlados pela Igreja.
Entre os principais artistas destes períodos, podemos citar: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Botticelli, entre outros. As obras renascentistas (pinturas, esculturas, livros) além de serem marcadas pela riqueza de detalhes e a reprodução de traços humanos, apresentavam características comuns:
- Antropocentrismo: valorização das capacidades artísticas e intelectuais dos seres humanos;
- Valorização da ciência e da razão, buscando explicações racionais para os eventos naturais e sociais;
- Resgate da estética da cultura greco-romana, principalmente a busca da perfeição na elaboração de esculturas e pinturas;
- Valorização e interesse por vários aspectos culturais e científicos (literatura, artes plásticas, pesquisas científicas).
- Humanismo: conjunto de princípios que valorizavam as ações humanas e valores morais (respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade, etc).
E aí estão algumas obras que revolucionaram e marcaram a época do Renascentismo:
O Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci. Da Vinci, uma das principais figuras do Renascimento, tinha interesses pela arte e pela ciência.
A imagem à esquerda é de Davi de Michelangelo. As esculturas do Renascimento englobam uma expressão corporal que garante o equilíbrio, com uma imagem humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas. Além disso, as expressões das figuras refletem seus sentimentos.
A imagem à direita é do artista italiano Leonardo da Vinci, que teve como sua principal obra Mona Lisa.
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Nascimento de Vênus (1483) de Sandro Botticelli. |
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